domingo, 29 de março de 2009

Filme - A Massai Branca






Bem narrado, o livro traz uma lição de vida que virou filme de sucesso e fascinou 4 milhões de leitores em 19 idiomas e 24 países. Uma leitora escreveu o seguinte na Internet: “Você acha que já fez muitas loucuras na vida? Já amou à primeira vista e quase morreu com o coração pulando na boca e largou tudo e todos para viver esse amor? Virou a mesa e mudou o rumo da sua vida, numa atitude passional? Todos nós temos histórias para contar – mas nada se compara com a de Corinne Hoffmann.

A partir do livro autobiográfico de Corinne Hofmann, a diretora Hermine Huntgeburth narra de maneira sóbria e cronológica a incrível saga de Carola (Nina Hoss), uma mulher suíça, de classe média, que passa as férias no Quênia em companhia do namorado. Tudo transcorre da maneira mais normal possível, até o momento em que ela conhece Lemalian (o estreante Jacky Ido, nascido em Burkina-Faso), um belo guerreiro negro da cultura queniana denominada Massai, por quem ela se apaixona louca e imediatamente.
Para qualquer europeu que vai para uma região mais reclusa da África, o choque cultural é muito grande. Mas a fascinação pode vir com a mesma intensidade. É exatamente isso que acontece com Carola. O rapaz passa a ser uma obsessão na vida dela a ponto dela abandonar o namorado e se embrenhar pelos mais subdesenvolvidos caminhos africanos em busca de Lemalian.

A atração pelos opostos, de forma extrema, é uma das questões básicas levantadas por A Massai Branca: até que ponto são suportáveis os choques culturais vividos por uma européia branca de formação capitalista e um pastor de cabras africano que habita uma comunidade nas montanhas? Até onde pode chegar a determinação de uma pessoa disposta a abandonar todas as suas raízes por amor? Ou seria apenas uma obsessão? Uma vontade desesperada de mudança?

Amei-o como nunca amei ninguém. Por ele dispus-me a viver uma verdadeira vida samburu. Com isso fiquei muitas vezes doente, mas continuei lá porque o amava. Muita coisa mudou desde que Napirai nasceu. Um dia ele disse-me que aquela criança não era filha dele. A partir daí o meu amor quebrou. Os dias passaram com altos e baixos e muitas vezes ele me tratou mal."
Casei com um Massai". É um relato na primeira pessoa de uma tão insólita como forte história de amor, com um final abrupto. Mais do que isso, é o relato da adaptação de uma europeia culta e independente ao estilo de vida semi-nómada de um guerreiro analfabeto e fiel às tradições em plena África. Uma história antropológica também.
Corinne, uma empresária suíça, vai de férias ao Quénia com o namorado, quando avista um guerreiro Massai por quem se apaixona perdidamente. Volta à Suíça, rifa o namorado, vende a casa e os carros, trespassa o negócio e parte de novo para África para tentar encontrá-lo. Demora três meses a consegui-lo.
Após vários encontros e desencontros, e diligências difíceis devido à burocracia e corrupção, acabam por casar-se legalmente e de forma tradicional. Corinne vai viver com a tribo de Lketinga, numa «manyatta», uma cabana feita de madeira e de excrementos de vaca, onde não há nada de nada daquilo a que um europeu está habituado. Por amor, adaptou-se a tudo, mas uma alimentação baseada em carne de cabra, chá e leite misturado com sangue levam-na contrair malária e a hepatite, fruto da má nutrição.
Para ganhar dinheiro e ajudar a melhorar a qualidade de vida da agora sua comunidade, Corinne comprou uma carrinha e abriu uma pequena mercearia. Contudo, os constantes problemas mecânicos, os assaltos, as viagens complicadas e a corrupção desiludiram-na profundamente e depauperaram a sua conta bancária depositada na sua terra natal.
Uma filha selou o amor do dois, mas os hábitos sociais profundamente diferentes e, sobretudo, os ciúmes obsessivos de Lketinga obrigaram Corinne a fugir para a Europa sensivelmente quatro anos depois do início desta aventura.
Um livro/filme que nos faz pensar no que fazemos e como nos adaptamos por amor e também nos limites que temos para conviver desta forma como uma pessoa tão diferente. Em suma, como é difícil ter uma vida a dois quando os conflitos entre culturas é tão flagrante.

Corine e sua filha

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